Por onde anda toda a simplicidade que me
disseram ter a vida, as amizades que nunca se substituiriam por dinheiro e o
amor que um dia, de surpresa, sempre chegaria? Ninguém ou nenhuma geografia
explica. Ando me baseando em vidas alheias para garantir algum sentido de
normalidade, de especialidade, já que para os outros o mundo ainda gira com
certa direção, com possibilidades de qualquer transformação, incomparável a
este meu universo de gestos tão estranhos, construído sobre escombros irremovíveis
de erros e enganos, em que a única novidade é a poeira que aumenta visivelmente pelos
cantos. E eu que pensei que haveria um pouco mais para mim, se guardei em
segurança cada sonho, se me preparei esperançoso para cada realização, sem me
dar conta de que apenas quedas e cicatrizes sangrentas esperavam meu porvir. Mas confesso que quis construir meu caminho e não sei se realmente mereci a indiferença do destino. De
que adiantaram os juramentos de felicidade, se há tempos me foi embora a
perseverança? De que serviram todas as tentativas de mudanças, se tornaram-se
óbvias utopias como um sorriso sincero que me alcança? Nem a paz e a
criatividade das madrugadas são mais soberanas, sendo que já sou incapaz de enxergar
através das constelações um lugar perfeito e um afago piedoso por ser assim tão imperfeito.
Este que agora me olha no espelho, antes não me encarava com desespero, não
apagava, descrente, a luz do quarto nem se esquecia dos desejos, tampouco, guardava um vazio imenso dentro
do peito.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
C´est la vie
“Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando
julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!”
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!”
Fernando Pessoa
“Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais. Somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos.
Somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos "sem querer".”
Somos mais. Somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos.
Somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos "sem querer".”
Sigmund
Freud
“A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o
que morre dentro de nos enquanto vivemos.”
Pablo
Neruda
“O nunca mais de não ter quem se ama torna-se tão irremediável
quanto o nunca mais de se ter quem morreu. E doi mais fundo, porque se poderia
ter, já que está vivo, mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é “never”.”
Caio
Fernando Abreu
“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava
que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as
incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido
carinho, pensei que amar é fácil.”
Clarice
Lipsector
***
Recebi mais este selo
do poeta Marcos de Souza do blog O mundo sob o meu olhar.Obrigado mais uma vez pelo
carinho e pelo reconhecimento constante!

Não sendo diferente, o divido com todos os seguidores do Sin Parangón.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
O amor em tempos de cólera
“Nunca estamos tão mal protegidos contra o
sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes
como quando perdemos a pessoa amada ou seu amor".
Freud
“Mesmo sendo uma condição constitutiva da
natureza humana, o amor é sempre a premissa insuperável dos nossos sofrimentos.
Quanto mais se ama, mais se sofre."
Nasio
O amor em
tempos de cólera é um romance escrito magnificamente por Gabriel
García Márquez, fazendo parte, portanto, da literatura universal, sendo adaptado para o cinema no ano de 2007. Conta uma
história que atravessa mais de meio século de um coração incansável em busca da
tão sonhada realização, passando os anos de sua vida esperando pelo único
alguém por quem já sentiu realmente estar apaixonado.
Para baixar o filme O amor em tempos de cólera, clique aqui
***
Recebi este selo da Polyana do
blog É meu, é meu, é meu - cantinho, um espaço muito bem construído e encantador
por natureza. Aconselho a visitarem! Obrigado pelo carinho!

O compartilho com todos os meus queridos seguidores!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Sangue
Todos
nós temos lá no fundo uma grande paixão que ainda doi, que nos angustia e que,
às vezes, nos faz chorar, porque traz recordações de alguns momentos, de outros
tempos, tempos de inocência, tempos em que minhas esperanças e ilusões eram de
uma criança, mas minha realidade já é esta, a de uma pessoa que se entusiasma,
se apaixona e experimenta a dor da separação. Tentamos deixar nossas marcas em
outros corações, em lenços, em paredes ou em livros para sentir que fomos
amados e não solitários, para acreditar que vivemos exatamente no dia em que
devíamos crer. É nosso último esforço para continuarmos existindo em lembranças
que já não são nossas. Nos lamentamos pela perda do outro, do ser, do corpo que
possuíamos e nos lançamos a tentar de novo de todas as maneiras possíveis... Sabe,
eu e você já fomos belos e perfeitos antes de estarmos sós e voltaremos a ser
jovens na noite em que alguém mais nos ame.
Autoria
desconhecida – tradução para o português Junior Rios
“A gente procura um
amor que dure o mais possível. Procura, procura, talvez ache. Para mim é
horrível aceitar o fato de que estou em disponibilidade afetiva. Esse espaço
entre dois encontros pode esmagar completamente uma pessoa. Por isso, eu acho
que a gente se engana, às vezes. Aparece uma
pessoa qualquer e, então, você vai e inventa uma coisa que na
realidade não é. E vai vivendo aquilo, porque não aguenta o fato de estar
sozinho.”
Caio
Fernando Abreu
***
Selo L’amour en quatre
actes!
Acabo de receber a indicação de mais este selo, que só
pelo nome inspirador já diz tudo. Agradeço ao poeta Marcos de Souza, do blog
O mundo sob o meu olhar, sempre atencioso e presente por aqui.

O indico também a dez blogs amigos:
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Cadê você?
Cadê você, a quem pelas ruas eu dava a mão?
Não. Não pode ter se transformado apenas nesta solidão,
Que me faz compreender o sentido exato de estar vazio,
De perceber-se sempre perdido entre tanta multidão
Cadê você, que, de braços abertos, me esperava naquele portão?
Não. Não deve ter se resumido somente numa ilusão,
Se até hoje conservo as digitais em qualquer parte da alma e do
corpo
Daquelas noites que se faziam completas e nunca em vão
Cadê você, que me desvendava com facilidade o coração?
Não. Não pode ter se deixado guiar a custo da razão,
Se ainda sigo aqueles mesmos rastros a fim de achar um caminho,
De ter com seu destino mais uma vez ligação
Cadê você, que me fazia sentir imensidão?
Não. Não deve ter se esvaziado de repente de toda a emoção,
Se ando sobrevivendo dos versos que capturei do seu olhar,
Que se insinuava, me dividindo entre perdição e salvação.
Raridade
Juro
que não queria mais ter tantas e certeiras intuições, já que não tenho conseguido
me surpreender com muita coisa ultimamente nem mesmo com as pessoas que insistem
em carregar sempre infinidades de surpresas inacreditáveis por debaixo das
mangas e dentro de todos os bolsos e meias. Até as mentiras mais arquitetadas que tentam
me convencer todos os dias, me parecem tão corriqueiras e conhecidas, que nem
surtem mais os efeitos desastrosos ou tristes de antes, não me causando nenhum modo
de espanto tampouco desejos de revide, apenas reforçando o que inconscientemente
esperava, o que pressentia. É como se vivesse constantemente em um primeiro de abril cheio de pura monotonia. Talvez, eu tenha vivido demais neste
pouco tempo, tenha aprendido a caminhar firme demais e a ler, com tamanha precisão,
variadas formas de olhares, que para mim se desnudam sem se darem conta a
todo momento. Talvez, eu tenha perdido o sentido real do que seja verdade, se
por todos os lados, convivo e me esquivo da frieza desleal da falsidade, da futilidade
endeusada pela sociedade, que creio eu, substituiu terminantemente o que chamavam por aí de
felicidade, se ofereço gratuitamente, de mãos limpas e abertas, minha sem
graça, mas minha realidade, já tão trincada e castigada pelas vontades invejosas da maldade, que não
se afasta, almejando possuir e se desfazer, de uma vez por todas, do que agora é
raridade. Juro que queria deixar-me enganar às vezes e poder voltar a voar entre
a direção incerta dos ventos, desprovido de horários, bússolas, tormentas e
quedas previsíveis. Deixar de ser o tão difícil e estranho. Sentir-me comum, normal
neste mundo insano.
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