
E eu que nunca
mais pensaria ou falaria de saudade... É absurdamente inevitável não sentir
falta de tudo o que trazias, falta das mãos que se arriscavam entre os escuros da casa e desejos, dos gostos esquisitos que mudavam como as estações do ano, do
formato do corpo, que me guiava como intrigantes estradas, por onde eu sabia
que jamais me perderia ou que, de propósito, me perderia para sempre. Sinto falta
dos planos, das ideias e até mesmo dos meus mais equivocados pensamentos,
quando estes tinham ao redor teu pronto consentimento. Sinto falta dos olhos,
dos teus olhos, que denunciavam escancaradamente as intenções que me tinham como protagonista, que me
convidavam para tuas aventuras, para tua perdição, mas eu sabia que se fosse do teu
lado, minha alma já teria qualquer forma certa de absolvição. Saibas que ainda
fazes parte da minha pulsação, te procuro nos jornais, nas festas, outdoors e esquinas
para perceber que funciona aqui um coração, para resgatar sonhos e, enfim, ter
consciência de diversão. E por falar em saudade, onde andas que não vens me
ver?