quinta-feira, 10 de março de 2011

Cinzas


E de ti, um retalho de fantasia foi somente o que me restou,
Ainda com uns poucos reflexos de alegria,
Porém não transmitindo sequer um fio de calor.
Até as serpentinas não ficaram sozinhas, o vento as acompanhou,
Nem o Pierrot disputava mais com Arlequim o coração da Colombina
Mas teu encanto, pelo qual tanto torcia, a quarta-feira de cinzas quebrou.
E eu que pensei que poderias ser, quem sabe, meu amor,
Não apenas este bom retrato mudo sobre a estante
Ou o perfume de ausência impregnado no meu cobertor. 

terça-feira, 8 de março de 2011

Hoy es día de Frida!


Simples versos, textos propícios e comemorativos ou meras frases-feitas não seriam tão suficientes, creio eu, para representar todo o significado evolutivo que envolve e colore cada segundo deste dia. Pensei em grandes personagens do cinema, em ideais futurísticos e, até mesmo, no verde das esperanças e na doçura comum das poesias, mas queria retratar, trazer à tona uma forma pura e forte de realidade, pegadas de mulheres, às quais a eternidade representa apenas um reles detalhe, pois seus olhares e atitudes serão sempre grandezas e intensidade. E, sem querer, me deparei com uma história de superação pela originalidade transparente de sua arte, porém também, com a instabilidade ou, quem sabe, com o esquecimento e a indiferença cruel do amor, com o desamparo visível da vida, que, mais tarde, se tornaram o refúgio, o ofício e a inspiração predileta de mãos talentosas à frente do tempo, que através de pinceis tentaram buscar a seu povo e a si mesmas, almejando entre as aquarelas a preciosidade da cura, e, no seu constante desencontro, fazendo da dor mesclada à frustração seu autorretrato, sua recompensa certeira pela incomunicabilidade da realização pessoal com a alegria. Escolhi alguém de quem fizeram um perpétuo lar as feridas, decidi falar de Frida.

“Não me permitiram preencher os desejos que a maioria das pessoas considera normal, e nada me pareceu mais natural do que pintar o que não foi preenchido (…) Minhas pinturas são (…) a mais franca expressão de mim mesma, sem levar em consideração julgamentos ou preconceitos de quem quer que seja (…) Muitas vidas não seriam suficientes para pintar da forma como eu desejaria e tudo que eu gostaria.”
                                                         Frida Kahlo   




 A todas as visitantes e seguidoras, feliz dia das mulheres!

Meu lamento


Neste dias, lamento tanto por não poder ser como os outros,
Por não fantasiar-me nem brincar de ser feliz no meio do povo,
Por não fingir alcançar o sol nem ter um samba que me tirasse o fôlego.
Lamento por não correr atrás de ilusões de confetes como se fosse louco,
Por não contar os inumeráveis beijos e achar que ainda seriam tão poucos,
Por não ter um alguém que me estremecesse e, pela multidão, me guiasse o corpo.
Nestes dias, lamento tanto por não saber começar de novo,
Por ter um coração que nunca se mascara ou perdoa qualquer desgosto,
Por manter-me inseguro entre ventos secos e frios como se aqui sempre fosse agosto.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Presentes


Este selo que exala espontaneamente positividade, recebi do meu amigo Phelipe do blog Caixa de Pandora. Há algumas regras que são: Indicar a 05 blogs que mais visitem o Sin Parangón (segundo as estatísticas) e a 05 novos seguidores, disponibilizar o link do blog que lhe presenteou (feito acima) e deixar, por fim, uma frase, um trecho de música ou citação que seja alegre.


Visitantes assíduos:


Novos seguidores:

Frase:

“...E batendo como o sol, meu coração não tem idade para esperar-te.”

***

Este, recebi do “hospício” da Pri, o Never Say Never Love. Obrigado por mais esta indicação e pelas homenagens esta semana (sem palavras)! 


A regra é muito simples: Colocar uma música! Então, escolhi uma que representa com perfeição, pensamentos e/ou dúvidas que todo mundo certamente teve algum dia... Espero que gostem! 


O indico aos visitantes e seguidores que por aqui passarem!

Sem idade



“A idade não nos protege contra o amor. Mas o amor, até certo ponto, protege-nos contra a idade.

                                                                                             Jeanne Moreau

sábado, 5 de março de 2011

Dizem por aí


Dizem por aí que me perdi,
Que tua ausência nunca pude resistir
E é verdade que foi entre teus braços que minha alma
Encontrou um lugar e eu vivi

Dizem por aí que já não durmo,
Que me amanheço sem dar trégua a meu pensar
E é que não quero te encontrar em meus sonhos,
Te encontrar para logo despertar

Dizem por aí que passo o tempo
Confessando a minha sombra este sentir,
Já saberá Deus que este castigo eu não mereço
E que não há quem me conte alguma coisa de ti?

Dizem por aí que já não sinto,
Que depois de ti não houve ninguém mais
E é verdade, continuo vivo na lembrança,
Vivendo morto dentro desta realidade

E o que importa o que dizem por aí?
Se dizem é porque não sabem de ti
E é que acreditam que o amor é apenas um momento
E não sabem que um momento é a vida para mim.
E o que importa o que dizem por aí de mim?

                                            Kike Santander – Adaptação para o português: Junior Rios

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