Só pode ser esta rotina a única culpada
de eu sempre me atrever a bater nas mesmas teclas, de me deixar voar pelos
mesmos e alucinados mundos perdidos de pensamentos, de sonhar e, logo depois,
desistir dos mesmos planos incabíveis para um coração que, apesar de forte, já parece
fechado ou, simplesmente, desgastado, acostumado com a ausência de êxito e desocupação
diária causadas pelo esquecimento proposital das emoções. Talvez seja este o real
motivo de meus passos lentos entre tropeços, cansados de chegar ao mesmo lugar
e sem ter nada de válido ou de vitorioso para compartilhar, para tentar, assim,
se igualar aos outros, com os quais, tudo parece, perfeitamente, funcionar. Talvez
seja este o erro de pensar que sou poeta, se minhas rimas repetitivas não
atraem e transmitem sequer intenções de esperança ou valor a ninguém, obcecadas
apenas por sentimentos doentes e impossíveis, presos por situações sem cura ou saídas. Como pude me deixar ficar tão monótono,
a ponto de me viciar em solidão e silêncio para recuperar o sentido de paz,
elegendo o abandono da madrugada como o único horário para me sentir bem,
quando posso, enfim, perceber que ainda vive aqui uma alma, que não sabe, ao menos, escolher explicações e um destino. Sinto falta daqueles
dias jovens, em que, facilmente, acreditava e desvendava forma de olhares, em que
te esperava e, sem medo, escrevia pelos céus, roteiros fáceis de felicidade.
domingo, 16 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Maktub
Até as pinturas gastas dos quadros
parecem, de mim, zombar, como se eu fosse um palhaço iniciante, que sequer uma
piada sem graça saiba contar ou, pelo menos, um sorriso inocente possa roubar, deixando-se
levar, iludido, por teu circo erguido de mentiras pobres e jogos de azar. E eu
que comecei a acreditar em mágicas quando dizias me amar, esperando respostas vindas
de todos os astros para ter a inútil certeza de que em qualquer vida, no mesmo
feitiço, pudesse te encontrar, mas juro que não quis pensar que com uma
história, que, talvez, por algum bonito destino tivesse sido escrita, chegaste
ao ponto de trapacear.
As estrelas tentaram me avisar, quando o
brilho delas, de repente, quiseste ofuscar, que por pouco tempo neste caminho, poderia
te acompanhar, se teu coração nunca conseguiu ou desejou pertencer a um só
lugar, se por através de inesquecíveis mundos, apenas por um deserto errante e
inseguro preferiste andar. E como achar felicidade em ilusões de areia, se nem
a ti, sabes encontrar?
Não me digas que isto estava previsto,
que pelas linhas de nossas mãos cada momento já havia acontecido, como se um
erro fatal tivéssemos, com toda a noção, cometido. Ainda me dói reconhecer que
nada foi realidade, que teus sentimentos são como rios vazios e, assim, da
minha verdade, tenho me arrependido.
A cada selo recebido, me surpreendo mais
e me emociono com o reconhecimento e credibilidade dada ao Sin Parangón. Estes,
foram indicados pelo blog O mundo sob o meu olhar, do Marcos de Souza.
Este aí encima veio com um pequeno e curioso
questionário!
Nome: Junior Rios;
Uma música: São tantas, mas uma, da qual
não me canso, Vento no litoral;
Humor: Totalmente incerto;
Cor: Azul;
Uma estação: Verão;
Você prefere viajar: A qualquer hora, o
importante é viajar;
Um seriado: Dois homens e meio;
Uma frase ou palavra mais dita por você:
“É a vida...”;
O que achou do selo: Inesquecível.
E, mais uma vez, os compartilho com
todos os meus seguidores, pois vocês, sem dúvida alguma, os merecem
também!Obrigado!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Amor platônico
Talvez, o único lugar que me reste na
sua vida, esteja mesmo à distância ou em qualquer outra parte, onde não cresçam
mais tantas esperanças neste sentimento que, de tão raro e sublime, não se
conforma e, de uma vez por todas, não se cansa, que até perante o silêncio
resignado do impossível, não o entende, que, à procura de proximidades, ainda
canta e, por seu caminho sempre incerto e isento de recompensas, invisível avança.
Fecho os olhos para não ver o
desperdício precioso do tempo, passar pela mesmice desta realidade que, em
nada, já se aproveita ou me interessa, inquieto por um incontrolável e insano pensamento
que se desperta, que, de solidão, me apressa e que, de cárceres rebeldes de ilusões
e desejos, nunca me liberta.
E eu deveria não ter esquecido, deveria
ter sim me precavido ou, pelo menos, me dado conta daqueles alertas, embora frágeis, de iminente
perigo, antes de preferir voar, me lançando no fundo do precipício, de apostar tudo neste jogo de
amor, evidentemente, perdido.
Sigo adormecendo apoiado entre várias memórias
sem argumentos ou lógica, que não se resumem em nem sequer uma mera e longínqua
história, mas, embasadas em momentos de constantes e delirantes utopias, em
planos, quem sabe, equivocados de um sonhado e tão pouco provável “como seria”.
De que adiantam as noites em claro na
criação de versos para declarações jamais ditas, escritas apenas atrás das portas
dos armários e a imaginação insaciável de um beijo não provado, se seu querer
nunca quis ser meu fiel aliado, se por todos os lugares me sinto como um bom perdedor ainda desafiado, me mantendo só em um canto apaixonado, invejando quem, com facilidade, pode estar ao seu lado e eu aqui sempre afastado.
“Pode
ser que passe despercebido por toda a vida, que meu olhar, de tão sincero, se
equipare apenas a uma amistosa companhia. Pode ser, então, que meu coração
envelheça nesta iludida espera e não resista até a chegada de sua atrasada
primavera, mas sei que um sentimento nenhum tempo enterra, deixarei expresso entre simples e eternas palavras que meu amor de verdade, enquanto eu respirei, você era.”
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Tempo
E, por quantas vezes, eu esperei através do tempo por respostas, por alguma
consideração, gratidão, por um pouco que seja de atenção e, até mesmo, por teu
amor que sempre me disse não... Mas parece que este tempo nunca passa ou,
simplesmente, não me basta.
Quando você voltar
Acho que já me cansei de sempre ter que
dizer adeus. Não sei se é só por hoje, mas me faltam as palavras e a inspiração
adequadas para escrever ou acreditar apenas na força injusta e imbatível da dor,
de sua consequente e imponente separação e dos espaços vazios que, ao meu lado,
insistem em ficar. Ando querendo, sem pensar, me desfazer, de uma vez por
todas, destes destroços de faltas tempestuosas e intermináveis, destes tantos
atos e mágoas, que um dia chegaram aqui, afastando-me de mim mesmo e dizendo-se
incuráveis. Ando precisando, sem mais a esperar, ver o sol que existe para
todos, em meu horizonte, tão profundamente adormecido, também, como um alívio, poder
nascer.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Mil pedaços
E de mim, até mesmo a inspiração tens levado,
Logo de mim, que encontrava nas palavras um pouco de
afago,
Que me ajudava a carregar o peso imenso deste fardo
De te ver cada vez mais distante do meu lado
E o que respondo a todos os comentários,
Se ainda não sabem te colocar no meu passado
E como me recupero aqui deste teu infiel estrago,
Se, sem saber, me quebraste em mil pedaços.
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